24/08/2020 voltar

Você conhece a Escuderia Fittipaldi? A equipe brasileira de F1 dos anos 70

A Escuderia Fittipaldi foi uma equipe brasileira de Fórmula 1, fundada em 1975 pelos irmãos Wilson Fittipaldi Jr. e Emerson Fittipaldi.

Gostar de automobilismo é muito mais que apenas acompanhar as corridas de Fórmula 1 ou conhecer os pilotos e as equipes que estão em alta no momento. É conhecer a história, também, de importantes nomes e equipes que contribuíram para tornar o automobilismo no que conhecemos hoje. Por isso, este artigo vai te contar mais sobre a Escuderia Fittipaldi, que teve um papel muito importante para o ramo.

A Escuderia Fittipaldi, conhecida também como Copersucar-Fittipaldi, foi a primeira Escuderia brasileira de Fórmula 1. Foi fundada em 1975 pelos irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi Jr, pois Wilson estava cansado de pagar para ter que correr e queria sua própria equipe.


A equipe dos irmãos Fittipaldi competiu em oito temporadas, um total de 104 GPs e 44 pontos. Sua estreia ocorreu em 12 de janeiro de 1975, no autódromo Municipal de Buenos Aires, na Argentina, com Wilson Fittipaldi Jr. Ao longo da história, foram apenas três pódios. Um deles, especialmente, foi muito comemorado, o de 1978, onde Emerson Fittipaldi conquistou o segundo lugar no Rio de Janeiro. E outros dois terceiros lugares, com Keke Rosberg no GP da Argentina e Emerson Fittipaldi no GP do Oeste dos Estados Unidos, ambos na temporada de 1980.

Além da criação da escuderia, os irmãos contaram com grandes nomes para desenvolver o carro que representaria a equipe. O FD01 foi o primeiro modelo da Escuderia brasileira, o nome faz referência a inicial dos sobrenomes de Wilson Fittipaldi e Ricardo Divila, desenhista e engenheiro do carro e o número 1, sendo referência ao primeiro carro da equipe. Wilsinho como era conhecido, tinha uma premissa para a criação: o carro tinha que ser projetado e produzido com o máximo de componentes nacionais possíveis.

Com o modelo projetado, faltava um patrocinador forte, para ajudar com recursos, então o piloto entrou em contato com Jorge Atalla, presidente da Cooperativa dos Produtores de Cana de Açúcar do Estado de São Paulo, a Copersucar, que firmou parceria e passou a dar o nome à equipe, nascendo, então, a Copersucar-Fittipaldi. O patrocínio durou até 1979 e, em 1980, a Escuderia passou a ser patrocinada na Fórmula 1 pela Skol.

  • Conheça os pilotos que fizeram parte da Escuderia Fittipaldi:
Wilson Fittipaldi Júnior (BRA)
Arturo Merzario (ITA)
Emerson Fittipaldi (BRA)
Ingo Hoffmann (BRA)
Alex Dias Ribeiro (BRA)
Keke Rosberg (FIN)
Chico Serra (BRA)
  • Linha do tempo da escuderia Fittipaldi
Na corrida de sua estreia, mais precisamente na volta número 13, um terminal da suspensão traseira do FD01 quebrou e fez com que o piloto perdesse o controle do carro e batesse de lado em um guard rail. Em poucos minutos o carro estava em chamas. Apesar disso, Wilsinho não sofreu ferimentos, mas lamentou a estreia.

  • FD02:
Duas semanas após a estreia e o acidente, o FD01 renasceu, dando lugar ao FD02, que já tinha data e lugar para correr: o GP do Brasil, em Interlagos. Esse novo modelo contou com algumas mudanças e melhorias em relação ao anterior e conquistou o 13° lugar.

Com esse modelo, o piloto participou do GP da África do Sul, da Espanha, Bélgica, Mônaco e Suécia - após essa última, a equipe estava empenhada em melhorar o carro para o GP da Holanda.
  • FD03
O FD03 estreou no GP da Holanda e o piloto, Wilsinho, adorou o carro. Terminou em 11° e participou dos GPs da França, Alemanha e do treino do GP da Áustria, onde o piloto teve uma fratura na mão. No GP seguinte, na Itália, foi substituído por Arturo Merzario. O GP dos Estados Unidos marcou a despedida de Wilsinho como piloto.

  • A chegada de Emerson Fittipaldi
Emerson aceitou o convite de pilotar o Fórmula 1 brasileiro na temporada de 1976 e despediu-se da McLaren. O piloto acumulava 14 vitórias e uma carreira de sucesso, o que animava mais ainda os entusiastas do esporte. Enquanto o alemão, Ingo Hoffmann, foi contratado como segundo piloto da Escuderia.
  • FD04
O modelo foi projetado em 1976 e seu bom desempenho animou a todos, principalmente, Emerson que, logo nas primeiras voltas, sentiu uma grande diferença do carro em relação aos demais. Sua estreia aconteceu em grande estilo no GP do Brasil, sendo pilotado por Emerson, e a equipe conseguiu colocar mais um carro para correr nesse prêmio. O FD03 também foi pilotado por Ingo Hoffmann. De fato, o carro surgiu com enorme expectativa, mas, ao longo das corridas, apresentou falhas, defeitos e não contribuiu para bons resultados da escuderia Fittipaldi. No ano seguinte, o modelo conquistou resultados e posições mais animadoras.
  • Novo Copersucar-Fittipaldi F5
O novo modelo estreou nas pistas da Bélgica e foi difícil não notar a semelhança com o Ensign N177, tanto no desenho quanto na concepção. Mas, logo no primeiro GP, o carro morreu na terceira volta, não dando chances de Emerson terminar a corrida.

A corrida seguinte era a da Suécia. Nos treinos, Fittipaldi sofreu um grave acidente com o modelo, que era o único chassi do F5, então a equipe teve que retomar com o carro reserva, o FD04. O F5 o deixou na mão também no GP da Inglaterra.
  • F5A
Em 1978, a equipe apostou em uma mudança radical no F5 do ano interior e, após um reestudo e um retrabalho da equipe, surgiu o F5A, que ficou pronto para estrear no GP da Argentina. Duas semanas depois, no GP do Brasil, a equipe estava com dois chassis à disposição. Emerson chegou a largar com o F5A mas, ao sair do box, o carro quebrou o eixo-piloto. Não houve escolha senão apelar para o carro reserva que já tinha passado por ajustes pela equipe.
 
Essa troca rendeu ao piloto o segundo lugar no pódio, o melhor resultado da equipe até então. Ao longo da temporada, outros bons resultados foram somando à escuderia. 1978, sem dúvida, foi o melhor ano para a equipe: um pódio e 17 pontos conquistados.

  • Copersucar-Fittipaldi F6
Ainda em 1978, Ralph Bellamy desenhou o novo carro da equipe, com muitas novidades e inspirado em outros modelos. Mas Emerson percebeu alguns problemas logo nos testes e não se agradou com essa novidade. As reclamações renderam aos engenheiros um prazo para que o carro passasse por mudanças para que pudesse estrear o mundial de 1979.

Porém, não houve escolha senão continuar com o F5A enquanto o novo modelo estivesse pronto para ir para as pistas. Até que no GP da África do Sul, a equipe decidiu colocar o F6 pra correr, mas o modelo não correspondeu às expectativas e o F5A voltou às pistas.
 
O resultado não poderia ser outro: 21º e último lugar para Emerson Fittipaldi no Mundial de Pilotos, com um ponto, e 12° e último lugar para a Copersucar-Fittipaldi no Mundial de Construtores. A Copersucar também não renovou o contrato de patrocínio com a equipe.

A Escuderia, que não tinha mais a parceria da Copersucar, foi em busca de novos parceiros. A partir de 1980, a Skol se tornou a nova patrocinadora da equipe. Nesse ano, Fittipaldi comprou a Escuderia Wolf, o que proporcionou à equipe uma melhora das instalações e dos caminhões-trailers, os motores a mais, assim como um pessoal técnico que passou a trabalhar com a Fittipaldi.
  • Skol-Fittipaldi F-7
Com novo patrocinador, em 1980, a Fittipaldi trouxe o Skol Fittipaldi F-7, o sétimo modelo da linha e o quarto pilotado por Emerson. Dessa vez, o carro não tinha nada de muito novo, era um típico carro de F1 dos anos 70. A parceria com a Skol durou cerca de um ano, pois a marca havia sido vendida pra Brahma, o que não gerou em muitas mudanças inicialmente. Mas, em 1981, a Brahma rompeu o patrocínio. Então, sem apoio, nem incentivo do governo do país, os irmãos Fittipaldi viam o declínio da Escuderia.

Os resultados do carro na pista também não agradaram, além de péssimas posições, um novo acidente de Emerson. Apesar disso, em Long Beach ele conseguiu um terceiro lugar, sendo seu último pódio.

  • O novo F8
O novo F8 pilotado por Emerson estreou na corrida na Inglaterra, em Brands Hatch. Como os antecessores, apresentava alguns bons resultados, mas muitas falhas mecânicas. Até o fim da temporada, Emerson concluiria apenas o GP da Áustria em 11° lugar, e mais nenhuma corrida.
  • F8D e o último ano da equipe Fittipaldi
A questão financeira já era um ponto bem crítico da equipe com apenas um carro nas pistas, sendo comandado por Chico Serra, enquanto Ricardo Divila fez o que pode pra atualizar o F8C e transformar em F8D. Mas teve de tudo: desde o desastre no GP do Brasil, onde o carro tirou Serra da prova por falha mecânica, até a corrida da Bélgica, que foi a melhor do ano, e deixou o carro em 6° lugar. A última corrida na Fórmula 1 da equipe foi em Monza, na Itália, em 12 de setembro de 1982.

 
E então, você conhecia a história da primeira e única equipe brasileira de Fórmula 1? Sem dúvida, uma grande trajetória que, apesar de não ter obtido os resultados esperados, marcou uma época, e arriscou como poucos fizeram.
 
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